Se você navegou um pouco pelo site deve ter visto muito essa palavra – BIM, mas afinal, o que significa isso? 

BIM (Building Information Modeling) significa, em tradução literal, Modelagem da Informação na Construção. Um projeto desenvolvido com este conceito vai muito além de desenhos uni ou bifilares, ou até mesmo de elementos em 3D. Um projeto desenvolvido com uso desta tecnologia traz uma quantidade imensa de informação que ajudará desde o responsável pela orçamentação e execução, até a empresa que fabrica determinado insumo utilizado em uma edificação. Isso porque cada elemento inserido no projeto possui todas as informações e parâmetros necessários para sua fabricação e posterior execução, contendo detalhes minuciosos que vão desde o modelo de parafuso utilizado até a distribuição dos vergalhões de uma viga. Isso faz com que o “I” do BIM seja o melhor dos benefícios do uso desta tecnologia. Resumidamente, podemos dizer que o BIM está para projetos em CAD, assim como projetos em CAD estavam para aqueles feitos à mão, e você vai entender o porquê.

O tal do “I”

Conforme Eastman (2011), com BIM é possível criar digitalmente um modelo totalmente virtual de toda edificação. Em termos de gestão, isto oferece um grande suporte ao projeto ao longo de suas fases, permitindo melhores análises e controles do que os processos manuais. E em relação aos elementos do projeto, estes contêm a geometria e dados precisos necessários para o apoio às atividades seja na construção, fabricação ou da compra dos materiais.

E isso só é possível pois cada elemento inserido no projeto possui todas suas características e dados desde sua composição química e física, até seu custo. Com isso é possível fazer uma quantidade grande de análises ou até mesmo de dimensionamentos.

  • Detalhe bloco de coramento
  • Slide 4

Compatibilização

Outro benefício bacana, em termos de projeto, é a possibilidade da compatibilização entre as diferentes disciplinas. Vejamos um exemplo: Imagine o projeto de uma edificação de 15 pavimentos tipo mais 3 de estacionamento (famoso base mais torre). Trata-se de um projeto de grande porte, onde existirão uma quantidade grande de diferentes projetos, e consequentemente, de profissionais envolvidos. Só para por a obra de pé, no bom português, seriam necessários projetos dos mais variados, como:

  • projeto arquitetônico.
  • projeto estrutural.
  • projeto hidrossanitário.
  • projeto elétrico.
  • projeto de sistemas de proteção contra descargas atmosféricas – SDPA.
  • plano de proteção contra incêndios – PPCI.

Agora imagine estes projetos desenvolvidos por diferentes escritórios, onde todos dispõem de uma planta baixa, e em muitos casos não trocam informações entre si. A possibilidade de erros ou interferências é enorme. Mas claro que isso se tratando de projetos em CAD. Quando o assunto é BIM estes erros diminuem consideravelmente, visto que todos os projetos são compatibilizados, mesmo sendo criado por diferentes escritórios (obviamente isto só é possível se todos os profissionais envolvidos criarem seus projetos em BIM). E mesmo que o arquiteto altere a posição de uma parede, essa informação pode ser passada de forma automática para os demais profissionais, se estes utilizam da ferramenta da vinculação de projetos.

Tabelas

Não se pode falar em BIM e não falar delas, as tabelas. Imagine desenvolver todo seu projeto, e quando terminar, extrair todos os quantitativos de alvenaria, reboco, piso ou qualquer que seja o material que você está trabalhando. Isso facilita e muito a vida de gestores, desde aqueles que fazem orçamentos até aqueles que precisam fazer o levantamento da quantidade de concreto para concretar uma laje.

A entrada deste conceito no país é recente, se comparado aos mercados norte americano e europeus ainda estamos muito atrasados. Mas este quadro tem mudado, com cada vez mais profissionais adeptos destas tecnologia e políticas públicas sendo criadas no sentido de incentivar, e até mesmo obrigar, a criação de projetos com uso deste conceito. O fato é que esta tecnologia veio para ficar.